Em tempos que estão quase que só na lembrança, falar em madeira para construção civil, mobiliário e decoração significava o uso de madeira maciça. Pranchas de peroba, pau-ferro, ipê, angelim, cedro, imbuia, mogno, e maçaranduba, entre outros tipos de madeira natural, eram desdobradas em caibros, vigas, tábuas, ripas e segmentos menores; em portas, janelas e caixilharia, passavam por acabamento e iam para uso direto no mobiliário ou assoalhos.
Hoje, com a madeira cada vez mais rara e cara, a tecnologia desenvolveu lambris e revestimentos de madeiras finas, onde por meio de uma película da madeira original retirada da prancha, cola-se em uma régua de madeira comum e se o acabamento final deixando a peça com aparência de madeira maciça. O efeito estético é agradável e se apregoa que a durabilidade é praticamente igual à da madeira maciça. A tecnologia industrial também desenvolveu sucedâneos para a madeira maciça, criando, por exemplo, pisos altamente resistentes com os mais diferentes efeitos visuais, imitando madeiras nobres ou com viés futuristas (como as tábuas/réguas para assoalho em cores claras ou patinadas, cheias de veios).
Hoje a madeira vem de lugares cada vez mais distantes. O governo tem exercido uma política de uso sustentável das florestas, com punições severas para os infratores. Em São Paulo, onde se estima que sejam absorvidos 15% da madeira produzida no País, se expande cada vez mais o consumo de madeira obtida de fontes sustentáveis e madeiras certificadas. Há um forte movimento social e governamental no sentido de proteger as florestas (Amazônica, Mata Atlântica, etc.), pressionando a opinião pública para estimular o consumo responsável de madeira e trabalhando no convencimento dos proprietários de lojas madeireiras para que entrem na corrente da sustentabilidade da floresta, comercializando apenas madeira certificada (FSC, Selo Verde e outras).
Para os lojistas, trabalhar com madeira certificada acaba com a perspectiva do chamado “tiro no pé”, onde a exploração de madeiras não-certificadas acabará por anular o próprio negócio a médio prazo, pois com a extinção das florestas muito em breve não haverá madeira disponível para comercialização... Para os consumidores, ter a garantia da origem da madeira é o limite mínimo de contribuição para a conservação ambiental da Terra.
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